AGROINDÚSTRIA FAMILIAR DE LONDRINA -PR

 

                                                                                               

Mauro Silva Ruiz[1]

Valmor Venturini2

Wagner Camberlin[2]

Jairo Roberto de M. Lyra[3]

Plínio P. de Mendonça Uchoa Jr[4]

 

ABSTRACT

 

This paper describes the activities developed by a program to support small farmers at he local level that has been carried out since 1999 by the Agriculture Secretariat of the Londrina Municipality, Paraná State, Southern Brazil.  The major activities of this program were analysed in the context of the Londrina Tecnopolis, a 10-year project that intends to transform the Londrina region into a world class region.  Two sectors out of twelve were selected in the Tecnopolis project as being the most important to promote the industrial development in the region: Information Technology and Food Processing.  In the latter, there is a family-based segment named agro-industry (fruits, vegetables, dairy products, processed meat) that has being growing up in importance in the last few years.  In the strategic plan designed to orient the Tecnopolis project from 2001 to 2010 a number of actions were suggested to support small farmers concerning technological information, demands for new equipments, importance of aggregating value to their products, certification of organic vegetable and fruits.  This paper points out a summary of these actions as well as possible ways to implement the program by providing technical support for farmers to expand their markets.

 

 

1.  INTRODUÇÃO

Este segmento é constituído por pequenos produtores rurais e urbanos de alimentos de origem vegetal e animal (orgânicos ou não), além de massas e produtos de panificação. Esses produtores são, em geral, micro e pequenos empresários que ofertam produtos de baixa sofisticação tecnológica ligados à cultura local. A transformação desses produtos ocorre de forma artesanal e informal em pequenas instalações. Em sua grande maioria trata-se de produtos com processamento simples, com baixo conteúdo tecnológico, mas apresentam um potencial de agregação de valor significativo.

 

Os produtos de agroindústria familiar rural e urbana atendem consumidores de variados níveis sociais em mercados locais ou regionais. São produtos como farinha de mandioca, fubá, conservas caseiras típicas, doces, dentre outros (ANEXO 1).  Neste grupo também se insere os ofertantes de produtos orgânicos que se destinam a uma fatia de mercado diferenciada constituída por consumidores de maior poder aquisitivo.

 

O estrato das pequenas e micro-agroindústrias não é homogêneo e é composto por produtores que atuam na área rural e urbana.  Tanto a agroindústria familiar rural e como a urbana são praticadas no município de Londrina, porém, segundo especialistas a distinção entre ambas não é relevante, pois às vezes as atividade de ambas se entrelaçam e se confundem.  Ambas são importantes por empregarem mão-de-obra não qualificada e valorizarem o trabalho doméstico.

 

2. METODOLOGIA

A metodologia utilizada para o levantamento e tratamento das informações apresentadas neste paper foi a seguinte: (i) realização de entrevistas com técnicos que atuam com agroindústria familiar em Londrina;  (ii) levantamento de bibliografias e de informações não publicadas junto à Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento (SMAA);  (iii) identificação de produtores e realização de entrevistas;  (iv) participação em seminário com os produtores;  (v) sistematização e análise das informações;  (vi) submissão à apreciação e críticas de técnicos da área;  (vii) redação final do texto.

 

3. CARACTERIZAÇÃO  DA AGROINDÚSTRIA FAMILIAR

A agroindústria familiar se constitui a partir de motivações de natureza econômica e social.  A principal motivação é de ordem econômica, ou seja, a agregação de valor aos produtos, via transformação artesanal ou semi-artesanal aos excedentes que os produtores rurais não conseguem comercializar in natura. Dentre as motivações sociais mais relevantes destacam-se a fixação do produtor na propriedade rural e a manutenção da integridade familiar via envolvimento de todos na produção, inclusive das donas de casa.

 

O aporte tecnológico geralmente se origina da própria família do produtor ou do agente de extensão rural. Os produtos deste segmento, em geral, são pouco competitivos devido à baixa escala de produção e à pouca atenção dispensada à apresentação dos produtos ao consumidor no que se refere às embalagens, rótulos e símbolos. Em relação à comercialização, os produtores geralmente enfrentam problemas para colocar os seus produtos em diferentes mercados, pois, na maioria das vezes, os nichos e oportunidades não foram devidamente analisados previamente. A taxa estimada de sobrevivência desses empreendimentos está em torno de 3%.  Muitos fracassam em função de não terem sido devidamente planejados e terem pouca capacidade de adaptação às freqüentes mudanças econômicas.  Mesmo as empresas que conseguem sobreviver durante os períodos de relativa estabilidade do mercado tendem a fracassar quando ocorrem mudanças acentuadas nas estruturas da oferta e demanda (adaptado de VIEIRA, 1998).

 

A agroindústria familiar urbana surge de uma oportunidade de mercado identificada pelo “empreendedor de fundo de quintal”, na maioria das vezes de forma intuitiva, sem estudos e/ou avaliações técnico-econômicas preliminares. Via de regra,  essa oportunidade se relaciona com o conhecimento técnico do próprio empreendedor ou de algum de seus familiares e é em torno deste conhecimento que ele planeja suas instalações e estrutura a sua produção. Isso explica a baixa taxa de sobrevivência do artesanato alimentar urbano, estimada em cerca de 5%.

 

4. PROGRAMA DE AGROINDÚSTRIA FAMILIAR DE LONDRINA

A Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento da Prefeitura de Londrina (SMAA) iniciou em 1997 um projeto de apoio ao desenvolvimento da agroindústria no município através da implantação da Gerência da Agroindústria.  Este projeto nasceu em função da existência de demanda por produtos de agroindústria na região, da necessidade de orientação técnica aos produtores que atuavam na área e também pelo fato do Plano de Desenvolvimento Industrial de Londrina não ter contemplado a agroindústria de pequena escala.  O conhecimento de experiências, projetos e programas similares desenvolvidos em Curitiba e em Brasília foram importantes para o delineamento das linhas mestras do projeto.  No caso de Brasília, foi importante a troca de informações com os técnicos que estiveram envolvidos na implantação e desenvolvimento do Programa de Verticalização da Pequena Produção Familiar (PROVE).  O foco do projeto nos seus primeiros anos de vida foi a indústria caseira de alimentos, tanto rural como urbana.  Com a realização do projeto, a SMAA conquistou a confiança dos pequenos empreendedores rurais e urbanos por propiciar a agregação de valor aos produtos e com isso promover a integração familiar e reduzir o êxodo rural no município.

 

Mais recentemente, em 2000, em função da dimensão e dos resultados alcançados pelo projeto, a SMAA implantou o Programa da Agroindústria Rural Familiar tendo como foco prioritário (porém, não excludente) o produtor rural que transforma e agrega valor à sua produção.  Este programa fundamenta-se na perspectiva do desenvolvimento local integrado e sustentável, lançada institucionalmente em 1997, pelo Conselho de Desenvolvimento Rural, que abrange diversas perspectivas, quais sejam: econômica, social, cultural, ambiental e físico-territorial, político-institucional e científico-tecnológica (FRANCO, 2000).

 

Os números aproximados de produtores que atuavam neste segmento em 1997, que estão atuando em 2001 e as previsões para 2003 são apresentados no quadro que segue:

 

ANO

NÚMERO DE EMPREENDIMENTOS  ATENDIDOS POR ÁREA

 

RURAL

URBANA

1997

15

40

2001

40

20*

2003 (previsão)

300

70

* Cursos de manipulação de alimentos e treinamentos em comercialização

Fonte: SMAA (2000)

 

4.1  Objetivos e Metas

Os objetivos do Programa são os seguintes:

·      Proporcionar ao pequeno produtor condições para processar produtos de origem vegetal e animal, em pequena escala e semi-industrialmente, aumentando o seu valor agregado;

·      Capacitar tecnologicamente o produtor artesanal em técnicas e procedimentos de higiene, manipulação, processamento e comercialização;

·      Oferecer ao produtor rural condições de comercializar os seus produtos sozinho ou organizado em grupos e/ou associações;

·      Propiciar meios de demonstração e divulgação dos produtos.

 

Dentre as metas do programa destacam-se:

·      Viabilizar ações de associativismo / cooperativismo;

·      Viabilizar novas unidades de agroindústria rural familiar;

·      Promover a identificação com placas (painéis metálicos) de todas propriedades e/ou unidades de transformação agroindustrial visando dar visibilidade às ações do Programa da SMAA e fortalecer a importância da atividade no município;

·      Realizar feiras da agroindústria familiar;

·      Manter atualizado o banco de dados do programa.

 

4.2  Atividades

As principais atividades desenvolvidas pelo Programa são:

·      Obtenção de informações preliminares sobre o produtor;

·      Cadastramento da propriedade e do pessoal envolvido na atividade;

·      Visita técnica à propriedade visando levantar a infra-estrutura e a capacitação existente;

·      Treinamento e capacitação (Fase I) – ênfase nas tecnologias disponíveis para a agroindústria;

·      Apoio técnico para legalização da atividade e regularização da documentação (alvará de licença, licença sanitária, Serviço de Inspeção Municipal (SIM) e Associação do Desenvolvimento da Indústria do Paraná (ADIPAR);

·      Treinamento e capacitação (Fase II) – ênfase em comercialização, vendas, controle de custos, formulário  de preços, legislação tributária e sanitária e rentabilidade;

·      Aprovação do projeto e implantação – apoio técnico na elaboração de plantas, alvarás de construção, pareceres prévios para alvarás de funcionamento / vigilância sanitária e linhas de financiamento;

·      Treinamento e capacitação (Fase III) – realização de cursos para manipulação de alimentos e excursões técnicas;

·      Assessoria técnica para o início do processo de industrialização com indicação de responsável técnico, análises microbiológicas necessárias, etiquetas / preços (código de barras);

·      Apoio na comercialização incluindo selo de procedência (produtos de Londrina) e vendas em feiras diretamente do produtor, em redes de supermercados e em escolas da rede pública para composição da merenda escolar.

 

4.3  Resultados

Os principais resultados alcançados pelo programa são:

·      Implantação do banco de dados das indústrias de Londrina e sua atualização permanente;

·      Realização de excursões para feiras nacionais e internacionais do setor alimentício realizadas em grandes centros;

·      Confecção de folder com informações relacionadas à crédito para distribuição aos processadores de alimentos;

·      Disponibilização de informações técnicas sobre materiais e equipamentos a serem utilizados na agroindústria familiar (catálogos e guias);

·      Promoção do curso sobre uso de condimentos em embutidos e defumados;

·      Assessoria empresarial aos produtores.

 

4.4  Problemas

Os principais problemas da agroindústria familiar de Londrina são:

·      A visão  do produtor é orientada para a organização da produção;

·      Desinformação sobre procedimentos burocráticos de autorização e registro de funcionamento das atividades da agroindústria;

·      Baixa capacidade de investimento devido à falta de capital de giro;

·      Falta de linha de crédito a taxas acessíveis e de mecanismos de facilitação do acesso a elas;

·      Baixo conteúdo tecnológico dos equipamentos;

·      Burocracia excessiva decorrente da necessidade de interação dos produtores com uma grande quantidade de órgãos e profissionais resultando em perda de tempo e custos elevados;

·      Pouco aporte tecnológico e gerencial;

·      Pouca capacidade de assimilar informações técnicas, gerenciais e mercadológicas;

·      “Barreiras culturais” resultando em baixa assimilação de informações sobre Boas Práticas de Fabricação (BPF);

·      Pouca capacidade de adaptação às mudanças econômicas, particularmente nos períodos de maior instabilidade econômica;

·      Falta de uma política eficiente de marketing e comercialização que propicie a ampliação do mercado dos produtos ofertados localmente.

 

4.5  Aspectos de Mercado

·      A produção da agroindústria familiar de Londrina, tanto dos produtos in natura como dos transformados, destina-se basicamente ao mercado local que é caracterizado por uma forte concentração urbana da população e por uma classe média com poder aquisitivo elevado para os padrões do País;

·      Os produtores rurais e urbanos encontram dificuldade para colocação dos seus produtos nas grandes redes de supermercados (p.ex.: Carrefour, Super Muffato, Condor, Mercadorama) devido a exigências impostas pelas suas políticas de compra e prazos de pagamento que podem atingir até 40 dias;

·      Verifica-se uma tendência crescente no consumo de produtos minimamente processados1 (p.ex: couves cortadas e embaladas, mandioca descascada e/ou pré-cozida) à semelhança do que se observa na maioria das cidades de médio e grande portes do País;

·      O transporte e a logística de distribuição, além do processamento adequado, são de fundamental importância no caso de produtos facilmente perecíveis, como queijo e ricota (entregues a domicílio e em restaurantes) e mandioca descascada (colocada à venda em supermercados) para que o tempo entre o processamento e a entrega seja o menor possível e a qualidade desses produtos não seja afetada;

·      Observa-se que vários agrônomos estão se dedicando à agroindústria familiar produzindo principalmente hortaliças hidropônicas e orgânicas, raízes e frutas, indicando uma possível tendência de maior profissionalização dos negócios na área.

 

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Considerando-se que as atividades de agroindústria familiar no município tendem a não ser sustentáveis por si só,  as ações de apoio à sua sustentabilidade sócio-econômica e à redução das elevadas taxas da mortalidade dos pequenos empreendimentos deverão enfatizar os seguintes aspectos:

·      assistência e financiamentos a taxas compatíveis para capacitação gerencial e melhoria da qualidade dos produtos;

·      realização de convênios com instituições de ensino e pesquisa para o desenvolvimento da pesquisa aplicada e capacitação tecnológica visando melhorar a qualidade dos produtos; 

·      sensibilização, orientação e capacitação dos produtores / processadores e das instituições públicas sobre as necessidades de melhorar o marketing dos produtos de Londrina e região;

·      oferecer assessoria econômica para controle de custos nos pequenos empreendimentos;

·      apoio à capacitação gerencial visando remover os gargalos de comercialização, melhorar a qualidade dos produtos e a elaboração de planos de negócios para ampliar os mercados;

·      Ampliação do leque de cursos de capacitação de pequenos produtores visando agregar maior valor aos seus produtos;

·      Continuar estimulando as visitas de produtores às exposições relacionadas ao agronegócio.

 

Pela sua importância social, como geradora de emprego e motivadora da unidade familiar, considera-se importante o apoio ao Programa de Agroindústria Familiar da Prefeitura de Londrina e a ampliação de estratégias para o seu desenvolvimento e extensão para outros municípios da região Norte do Paraná, via a promoção de ações direcionadas à capacitação gerencial / tecnológica e à comercialização. Seria interessante se o referido Programa evoluísse para um “balcão da agroindústria”, oferecendo também apoio em rotulagem e embalagem, uma vez que têm concentrado maior ênfase na orientação e assistência tecnológica à produção, processamento mínimo e à industrialização.

 

Outras estratégias da SMAA para implementar o seu programa são:

·      Criação de um selo de procedência para os produtos da agroindústria de Londrina;

·      Absorção dos produtos locais no preparo da merenda escolar para as escolas do município;

·      Criação de uma central de comercialização de produtos da agroindústria familiar para efetuar vendas no atacado, atender  rapidamente os consumidores, ampliar a divulgação e o oferecimento de cursos para os produtores / processadores de matérias-primas e dos produtos ofertados na região, além de oferecer espaço ao público para degustação; 

·      Sistematização dos requisitos básicos para a condução sustentável das iniciativas municipais em agricultura orgânica visando a projeção da imagem de Londrina nesta área;

·      Criação de um mercado ambulante;

·      Entrega à domicílio - “cesta na porta” – para produtos orgânicos destinados a um público de maior poder aquisitivo;

·      Interação com iniciativas de comercialização previstas em projetos estaduais, (p.ex.: Fábrica do Agricultor) visando ampliar as vendas junto a rodovias, CEASAs, hipermercados, supermercados e pequenos mercados.

 

Nos últimos anos, o programa da SMAA conquistou uma boa visibilidade no Paraná e atualmente é referência para profissionais de várias regiões do Estado interessados em implantar programas similares em nível municipal. 

 

Tendo em vista as características e os problemas deste segmento, bem como o perfil dos produtores que nele atuam, as políticas públicas direcionadas ao seu desenvolvimento somente terão eficácia quando seus instrumentos (programas ou projetos específicos) se traduzirem em ações locais gerenciadas em nível municipal, preferencialmente por uma agência de desenvolvimento local com algum nível de controle social.

 

BIBLIOGRAFIA

 

ALIMANDRO, R; PINAZZA, L.A.  Reestruturação no Agribusiness Brasileiro-Agronegócios no Terceiro Milênio.  [S.l.]: ABAG/Agroanalysis/FGV,1999.  p. 265.

 

BAKELY, E. J.   Planning local economic development: Theory and practice.  Thousand Oaks: Sage, 1994, 2 ed.

FRANCO, A. de.  Por que precisamos de desenvolvimento local integrado e sustentável?  Separata da Revista Século XXI.  Brasília: Millenium-Instituto de Poliítica, 2000, 56p.

MOTTER, A.A.  Plano de gestión para el desarrollo de las agroindustrias alimenticias familiares rurales de Londrina-PR.  Córdoba, Argentina: 1999.  153p. (Dissertación de Conclusión de Curso).

PREFEITURA MUNICIPAL DE LONDRINA.  Projetos desenvolvidos pela Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento – Resultados alcançados (1997-2000).  Londrina, 2000. 

 

RUIZ, M.S.; MENDONÇA Jr., P.P.; ALVES, R.M.L. Perfil de alimentos.  Os segmentos econômicos de Londrina e região: Análise das potencialidades e gargalos visando a estruturação de um pólo de inovação tecnológica.  Londrina: ADETEC, 2001 (não publicado).

 

VIEIRA, L. F.   Agricultura e agroindústria familiar.   Revista de Política Agrícola.  Rio de Janeiro, Ano VII (01), jan.-mar. 1998, p.11-23.

 

 


ANEXO I

 

 

Exemplos de Agregação de Valor em Produtos de Agroindústria Familiar

 

(Dados obtidos dos produtores em setembro / 2000)

 

A agregação de valor, em alguns produtos, é constatada a partir de alguns cálculos simples realizados em comparação com  o produto in natura.

 

Caso 1: Mandioca

Preço pago ao produtor no CEASA para caixa com 20 kg: entre R$ 4,00 a R$ 5,00. O preço do quilo da mandioca in natura situa-se em torno de R$ 0,20 – R$ 0,25. Com o processamento mínimo (descascagem e embalagem), o produtor chega a comercializar o quilo da mandioca a R$ 0,60.  Com a agregação de valor, o produtor vende a mandioca por um preço, em média, 140% acima do valor que seria obtido com a sua venda in natura.

 

Caso 2: Leite

Este produto pode ser entregue para a indústria por um preço médio de R$ 0,28 o litro. Na fabricação do queijo Frescal, utiliza-se em torno de 7 litros de leite para cada quilo de queijo. Este queijo poderá ser vendido a um preço mínimo de R$ 5,00 o quilo, portanto, com agregação de valor em torno de 150%.

 

Caso 3: Morango

Para este produto pode-se tomar como referência a geléia de morango de 250g comercializada na Feira do Morango a R$ 2,50.  Para a produção da geleia são necessários, em média, 350 g do morango in natura  que eram vendidos a R$ 1,00. Neste caso, observa-se um acréscimo de 150% oriundos da agroindustrialização do produto.


ANEXO II

 

Principais Produtos da Agroindústria Familiar de Londrina

 

Matéria-prima

Obtenção da matéria-prima

Produtos

Tipo de embalagem

Principais locais de comercialização

Leite

Produção própria

Leite pasteurizado

Sacos

Entregas à domicílio

 

Laticínio

Doce de leite

Sacos plásticos

Feiras

 

 

queijo minas frescal, ricota

 

 

Morango

Produção própria

Frutas in natura e congelada,

bandejas revestidas com filmes plásticos

Padarias e feiras

 

 

geléia, bombons e tortas

bandejas revestidas com filmes plásticos

Restaurantes, supermercados

Mandioca de mesa

Produção própria

 

Bandejas revestidas com filmes plásticos

Mercados, supermercados, restaurantes e a domicílio

Carne de suínos

Frigoríficos

Embutidos

Sacos plásticos de polietileno de baixa densidade

Mercados, supermercados, restaurantes e a domicílio

Cana-de-açúcar

Propriedades vizinhas

Rapadura

Sacos plásticos

Feiras

Mamão, abóbora

Produção própria

Compotas

Vidros

Feiras

Farinhas

Supermercados

Pães, bolachas

Sacos plásticos

Feiras e entregas a domicílio

 

 


ANEXO III

 

Lista de Produtos de Agroindústria Familiar de Londrina

 


Açúcar mascavo

Alface comum

Alface hidropônico

Alface hidropônico embalado

Arroz beneficiado

Barbante

Batata frita

Biscoitos

Biscoitos de polvilho

Bolo

Broto de feijão

Bucha

Café em pó

Café orgânico

Café torrado

Café torrado e moído

Canjica

Carne

Carne embalada

Cebolinha

Cocada

Compotas

Congelados

Conservas

Couve

Cural

Defumados e Embutidos

Destilaria de álcool

Doces

Ervas medicinais

Farinha de Carne

Farinha de mandioca

Farinha de milho

Farinha de trigo

Fios de seda

Framboesa

Frango embalado e embutido

Frutas desidratadas

Fubá

Geléias

Granola

Hortaliças orgânicas

Iogurte e bebida láctea

Legumes

Leite de cabra pasteurizado

Leite em pó / derivados

Leite envasado

Leite pasteurizado

Licor

Lingüiça

Macarrão

Mandioca descascada / pré-cozida

Mandioca descascada

Massas caseiras

Mel

Mel e derivados

Milho descascado

Milho verde descascado/embalado

Morango

Ovos

Ovos de chocolate

Pães

Pamonha

Pato

Peixes ornamentais

Picles

Pipoca

Pipoca de milho

Pirulitos

Polpa de frutas

Produtos hidropônicos

Pururuca

Queijos

Rapadura

Ricota

Salame

Suco de laranja

Sucos

Temperos

Tomate desidratado

Vela

Verduras

Total : 82 produtos


AGRADECIMENTOS

 

Os autores agradecem à Professora Maria Victória Eiras Grossmann, do Departamento de Tecnologia de Alimentos e Medicamentos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e ao engenheiro agrônomo Paulo Varela Sendin, do Instituto Agronômico do Paraná (IAPAR), pelos comentários e sugestões e também à engenheira agrônoma Rosa Maria Lima Alves pela compilação dos dados e informações dos anexos I e II.



[1] Gerente técnico do projeto Londrina Tecnópolis (ADETEC) e Universidade Norte do Paraná    (mruiz@adetec.org.br)

[2] Secretaria Municipal de Agricultura e Abastecimento de Londrina (agricultura@londrina.pr.gov.br)

3 Universidade Norte do Paraná (jairo.lyra@prof.unopar.br)

4 Gerente da Plataforma de Alimentos, Projeto Londrina Tecnópolis (puchoa@adetec.org.br)

 

1 Refere-se aos produtos cujo processamento é simples e tem como objetivo agregar valor sem alterar as suas características e/ou qualidades intrínsecas (p.ex. lavagem, corte, pré-cozimento, embalagem em filme). O processamento pode ser efetuado na propriedade agrícola ou no comércio por atacadistas /varejistas e contribui para a redução de perdas na cadeia produtiva.  Em geral, os especialistas não enquadram os produtos minimamente processados entre os de agroindústria familiar, porém, não se observa um consenso em relação a isso entre os técnicos atuantes na área.